Vertical Il Caberlot

Tudo começou no início dos anos 1960, perto de Pádua, quando o agrônomo Remigio Bordini identificou, num vinhedo quase abandonado (Podere Il Carnasciale), uma uva até então desconhecida, aparentemente resultado de um cruzamento natural entre a Merlot e, possivelmente, a Cabernet Franc. Bordini plantou um pequeno vinhedo com mudas da variedade para avaliar sua viabilidade comercial e registrou-a para fins legais. A uva desconhecida tornou-se oficialmente a “L32”.

Enquanto isso em Berlim, na Alemanha, um bem-sucedido diretor de criação de uma agência de publicidade internacional, Wolf Rogosky, e sua mulher, Bettina, ambos alemães e apaixonados pela Toscana, souberam que, devido à crise econômica, haviam muitas propriedades praticamente abandonadas à venda na região. Decidiram então conhecer algumas delas in loco. Entre as que visitaram, a Podere Il Carnasciale não parecia, pelo menos à primeira vista, a mais promissora. Além do mau estado de conservação, pesava o fato de que não tinha luz elétrica ou água encanada. Mas a vista, a quase 500 metros de altitude, encantou os Rogosky, que selou a compra, em 1972.

O primeiro vinhedo foi plantado em 1986, e o nome do vinho seria justamente o acrônimo formado pelas duas uvas que teriam dado origem à L 32. E assim nasceu o Caberlot.

Outra decisão importante foi de engarrafar o Caberlot somente em magnuns, simplesmente porque acreditavam que grandes vinhos necessitavam de formatos maiores para se desenvolverem plenamente. Note-se que até então não havia nenhum vinho produzido com a variedade descoberta por Bordini. Ou seja, plantar Caberlot era uma aposta no escuro. Mas a fé de Wolf no projeto era tanta que, para dar sorte, enterrou uma garrafa fechada de Sassicaia safra 1985, um dos chamados supertoscanos, no local destinado ao primeiro vinhedo.

Após a morte de Wolf, Bettina decidiu continuar o projeto, inicialmente com a ajuda do filho, Moritz Rogosky.

A vinícola conta com 4,5 hectares distribuídos por cinco parcelas diferentes de vinhedos. Todo o trabalho no vinhedo é manual e, em parte, realizado por um grupo de admiradores do vinho vindos de diferentes partes do mundo, que se intitulam “Amigos do Caberlot”. A produção é totalmente orgânica e o rendimento, como esperado, baixo: 3 toneladas por hectare.

Descoberto por master of wines e grandes críticos como Jancis Robinson, Caberlot se converteu em um cult wine que foi degustado por poucas pessoas no mundo. E uma degustação vertical conduzida pessoalmente por Moritz é algo histórico.

Leia matéria publicada em ADEGA:
https://revistaadega.uol.com.br/artigo/caberlot-historia-do-rotulo-toscano_11778.html

Moritz Rogosky planeja compartilhar conosco as safras  2012, 2013, 2014 e 2016.

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